12 de jan de 2008

MILTINHO

Quinta feira última, fui convidado pelo Robson Timóteo e pela Livia Mannini, para participar da produção do mais recente projeto da Livia no Sesc Pompéia, O SAMBA PEDE PASSAGEM, que tem como objetivo, fazer um trabalho de resgate da memória da musica popular (A de verdade) brasileira. Com a apresentação de Moisés Da Rocha, quatro shows serão realizados, com grandes intérpretes, cantando clássicos de outros grandes compositores. E aí começa a história...
Chegando no Sesc, a Livia me incumbiu de uma tarefa:
"Marcelo, você pode acompanhar o Miltinho até a hora do show? Ele gosta de uma conversa e você é bom nisso..."
Porra...
Eu tinha uns 10 anos de idade quando uma musica no último volume do som da minha casa chamou minha atenção:
"Pai, que musica é essa?"
"E o Juiz Apitou, filho."
"E quem canta?"
"O maior cantor de samba do Brasil, filho... Miltinho"
Dali por diante me familiarizei com a voz anasalada e pecualiar daquele grande cantor. Ouvi gravações históricas dele, com a Doris Monteiro, Boleros lindamente cantados, gafieiras sacolejantes e em bem pouco tempo, virei um fã alucinado do homem. Pois bem... Passados esses vários anos, minha amiga me incumbe de passar uma das melhores tardes de minha vida. Era umas 16:30h quando ele chegou no Sesc. Bem humorado, vestido num terno branco de linho impecável, ao lado de Lito Robredo, veio até nossa direção:
"To chegando garotada!"
"Opa... Uma honra minha receber o senhor, Miltinho... Fica a vontade."
"Senhor, ta no céu , e, a vontade, só de bermuda e chinelo..." - Falou rindo.
Feita as apresentações, Livia foi correr atrás dos último detalhes, Robson foi montar a aparelhagem da projeção de imagens que ele iria fazer e ami, coube, o prazer da companhia do mestre.
Perguntei como foi o inicío de sua carreira nos anos 40 e em meio a uma viagem no túnel do tempo, ele me contou tudo:
"Ah garoto... Foi lá na Rua Correia Dutra, no Rio. Montamos o grupo CANCIONEIROS DO LUAR, para cantar no programa do Ari Barroso. Então durante 365 dias ensaiamos uma bendita musica e você não me pergunte qual que obviamente não vou lembrar. Enfim; Tiramos uma nota "5", vá... Alí comecei como ritmista. Tocava pandeiro. Depois participei de outros grandes conjuntos como ANJOS DO INFERNO e MILIONÁRIOS DO RITMO, até chegar na ORQUESTRA TABAJARA, onde em 1950, comecei essa brincadeira de cantar"
Aí o papo engatou. Bom de conversa, Miltinho me falou de sua amada Laranjeiras onde mora ha mais de 40 anos embora faça questão de ressaltar; "Sou Flamengo". Do quanto lhe causava calafrios a beleza de Dóris Monteiro e de como era brava a mãe da mesma. Causos e causos da boemia carioca, das noites paulistanas. Falou com carinho de seus grandes amigos, Ataulpho Alves, Altemar Dutra, Zeca Pagodinho, Jair Rodrigues e uma carinho todo especial por Noite Ilustrada; "Esse foi um grande amigo, garoto. Cantava como ninguém, fino, elegantissímo... Tenho uma saudade danada do Noite..."
Falei de sua simpatia e ele disparou:
"Mas porra... Velho, nanico e chato; Quem aguenta?" - E eu dava risada...
Ficamos juntos até a hora do show, quando ele se emocionou ao ver na tela uma imagem do amigo Luiz Antonio. Foi as lágrimas e agradeceu ao Robson, pela lembrança. Ao nos desperdirmos, recomendou lembranças a minha mãe, a qual disse ser sua fã e muita prudencia ao volante.
"Esse transito é um inferno..."
Disse ao mestre que ficasse tranquilo, pois iriamos devagarzinho. Chegeui em casa feliz da vida, tomei um banho, liguei a tv e tinha lá um show do Jeito Moleque, reprisado, na madrugada. Não fiquei triste.
Desliguei a tv e fui dormir...

ALGUMAS REFLEXÕES DE SEXTA FEIRA; ELUCUBRAÇÕES NO HORÁRIO "NOBRE" DA TV ABERTA...

E que acontece de novo na República Federativa Das Bananas? Bem...
O Santos contratatou Marcinho Guerreiro (Que tem como principal inimigo de suas batalhas, exatamente a bola...), Na novela das oito na Rede Globo de televisão, o autor criou um Hugo Cesar Chaves, que atende pelo nome de Juvenal Antena, a mocinha mais gostosa do Big Brother não quer dar pra ninguém, no Telecine passa Claude Chabrol, no CCBB, tem Bang-Bang, do Andrea Tonacci e minha amiga Giuliana diz que sou elitista. Ai, ai...
Quanto ao Chaves/Fagundes; Não morro de amores pelo sujeito. Aliás, para mim, não há diferença nenhuma entre um ditador e outro, ou seja; Pouco importa se um tortura, assassina e mata e outro, é populista, previsivel e louco. Ambos são tiranos. Se perpetuam no poder as custas da pobreza, da ignorância e porque não, através da boa fé do povo para disseminar o seu complexo de Nero, ou senão, via força, debaixo de choques elétricos, pau de arara, fuzilamentos e decretos, ou "AI's", como queira.
No entanto, vejo com o mesmo nojo, uma emissora de televisão, um grupo falido, caloteiro e quebrado, que vestido com o smoking da democracia, alardeia uma cruzada hipócrita, calculada e sistemática sem a menor coragem de vir a público e dizer; "O Chavez nos incomoda e detestamos ele." Não. Ao invés disso, "Somos isentos e nos atentamos apenas aos fatos". Porra nehuma! Nunca os olhos do mundo se voltaram para a Venezuela para tentar entender o que acontece por lá. A pobreza daquele povo, nunca conseguiu 30 segundos do Jornal Nacional para que soubessemos o que rola por aquelas terras e nenhum enviado especial quer saber o que pensao povo pobre de Maracaibo, por exemplo. E vejam, se hoje a coisa é diferente, até que ponto o Chaves tem mérito nisso? Mérito?? Sei lá...
Sei que, maluco por maluco, prefiro um que seja latino e camponês, a outro, texano e idiota. Seja lá como for, nenhum dos dois é um maluco jungano como bem obervou minha amiga Livia em outras circustâncias.
E Chabrol no Telecine? Legendas em português, dublagem em inglês! Depois eu que sou chato...
O Tonacci no CCBB era uma boa pedida mas, atividades pouco cristãs e muito prazerosas, me impediram de assisti-lo novamente. Dei um jeito. Fui até aos incrivelmente olhos azuis de Giuliana e pedi o velho vhs emprestado. A linda amiga, resolveu então dar uma alegria a esse pobre e velho roqueiro e me convidou para entrar e assistir com ela. Maravilhoso exercicio de cinema, inventivo, experimental e inovador com uma atuação impecável de Paulo Cesar Peréio. Que filme! Ao término do mesmo a televisão caiu no então afamado Big Brother Brasil.
A Giuliana me falava dos encantos da mocinha do programa que não queria dar pra ninguém, de um psiquiatra que vive o drama de revelar ou não sua sexualidade para os 14 membros da casa, embora tenha revelado para todo o Brasil e mais uma outra série de assuntos que envolvem a tal casa global. Fiz um comentário, ou um gesto de indiferença e minha amiga mandou essa:
"Da pra deixar de lado esse asco todo das coisas populares, senhor Marcelo? Você mesmo ja escreveu sobre uma série de circustancias que levam esse povo a ver esse tipo de coisa, inclusive, inocentando-os! Agora, quando te faço um cometariozinho, você me responde com essa cara de Regis Debret e empina o nariz! Qual é, Basco?"
Bom... Não sei até que ponto esse tipo de programa é "popular". Aqui no do Parque Novo Oratório, nunca vi ninguém. É claro que de vez em quando alguém do subúrbio do Rio aparece por lá para contrariar a regra, mas nunca, esse mesmo vivente passa pela peneira global. É sempre um sorteio, um concurso, algo pra mostrar que o povo participa sim, ô... Não tenho cara de Debret, porque ele era um demonio de feio. Apenas defendo meu direito de não ser politicamente correto, nem de fazer a alegria da meia dúzia boazinha que passa a mão na cabeça do povão contemporizando tudo quanto é coisa. Digo sim o que penso, sem me preocupar no quanto isso pode ou não ser relevante a outrem. Finalmente...
Espero que os Templários modernos me entendam...