Bem o TEOREMA DOS PORQUÊS vieram de uma maneira não planejada e enfim...
São textos, em tom de crônica, que nasceram de uma intrìnseca necessiade de entender alguma coisa que acontecia e segue acontecendo com esse escriba sem vergonha. Houve épocas em que isso era chato e angustiante, houve outras, em que foi prazeiroso e alegre.
Essas nuâncias efêmeras são abordadas aqui. Tem texto pra tudo que é jeito de tudo que é forma, feito sem muita preocupação, sem alamejar nada que não seja a pergunta que marca o ápice sofista, “Porquê”.
Também não sei se consegui resposta para a maioria delas mas não interessa...
Pra literatura vale isso; Uma idéia, um tema, um conto, um texto, uma cronica...
Segue abaixo!
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 1; O INEXPUGNÁVEL PARADIGMA DO CANALHA INCOMPETENTE
Encanto
Divindade, santidade, alucinação, transe, loucura ou sei lá o que eu sentia quando estava com ela. Julia...
Nem minha maldita, constante e fiel insônia, resistia a ela. Naquele apartamento de Santa Cecília eu dormia o sono dos deuses, descansava tal qual um espartano após uma gloriosa guerra sem sentido, sonhava com alguma coisa tocada por Mahler... Sentia-me abatido por uma paz que me era estranha, me abstraía totalmente de minhas preocupações de pequeno burguês “ex-falido”, preocupado com a conta de luz vencida. Tocava o foda-se o prazo de entrega de minhas colunas semanais... Dane-se a periodicidade de quem me paga por minhas torpes elucubrações musicais!
Sono. Apenas curtia-o
Talvez por saber que com certeza, seria acordado no outro dia com um delicioso beijo de Cepacol Menta:
“Má... São 10:30h. Vem tomar café. Não comeu nada ontem...”
Ia. Comia como um paxá nababesco:
“Posso fazer sua barba, nego? Ela tá grande...
Pode!
Ela podia fazer comigo o que quisesse que eu não diria um “a”. Sentava na cadeira, ela ensaboava minha cara com uma espuma duvidosa ao som de Hyldon... “Mistura guitarra com iê, iê, iê... violinos com instrumentos de samba...” – Depois deslizava a lâmina da navalha com delicadeza e sutileza que só ela tem. Eu fechava os olhos e via o édem. Podia jurar que enxergava em minha frente o Jardim Das Acácias que o Monet pintou em momento bem menos sublime... Foda-se minha sanha urbanóide! Com ela eu queria ser caipira...
Amaria passar uma temporada sendo arranhado por aquelas unhas cumpridas arranhando as minhas costas. Ao som daquela sinfonia de urros proferida por ela na hora do gozo. Sexo com Gainsbourgh, putaria com Baudelaire. E ainda por cima antes de sair para seu trabalho no tal escritório de Arquitetura mandava essa:
“Má fiz tabule pra você, Nego. Tem Azeite na geladeira e um vinhozinho chileno também... Fica a vontade e se sair antes que eu volte, deixa a chave na portaria... Dá um beijo...” – E eu dava com gosto! Saía.
Ligava o pc dela e me embrenhava nas pesquisas que tinha para entregar e encontrava uma pasta com meu nome; Milhares de informações que preciso para entregar a porra da matéria. Um amor de mulher. Linda, morena, cara de Anouikée Aimé, corpinho de Susan George... Divina! Abri a pasta, coloquei um som Do Fredie Hubbard pra rolar e em meio ao arregaço do trumpete do homem comecei a pensar e tentar saber... Porque eu não caso com a Julia? Porque diabos não “peço-a em namoro”?!?!?!
Que diabo a gente tem que não consegue conviver com a dita paz? Porque eu não ficava quieto com uma mulher como essa?? Fiquei pensando nas possibilidades de uma resposta. Os mais rasteiros diriam que sou um canalha.
Absolutamente não. Porquê? Oras...
Não tenho a riqueza, a magnificência, à grandeza, o teor lírico que caracterizam o canalha. Sim, o canalha é um lúdico! A começar pela raridade em encontra-lo.
Afinal de contas onde quer que se ande, todo mundo há de afirmar e bater no peito estufado para dizer; “Sou homem honesto” ou senão; “Sou uma mulher honestíssima” e ninguém aparecesse com pureza suficiente para dizer “Sou um canalha!”.
Pois se fosse eu, um puro canalha estaria casado com a Julia. Continuaria fazendo as mesmas merdas que faço, juraria um amor que desgraçadamente não tenho, trairia, mentiria e permaneceria casado e “feliz”. Catolicamente feliz. Pois entre os católicos só a morte separa. E a morte especifica, porque pouco importa se o sujeito é um morto-vivo em um casamento, relacionamento ou, putaria fixa como queiram.
Não me importaria com nada e viveria numa boa, sem nenhum pesar na porra da consciência. Viveria a conveniência que me agradasse, porque o canalha é assim; Só se manifesta quando há a eminência das circunstancias favoráveis a ele. Eu? Eu sei lá o que sou.
Já nem tenho mais aquele glamour do “Escritor fudido” que todo mundo ama.
Agora sou um “homem de respeito”. Porque eu não sei. Talvez em função da tal nova vida minha. Grana, trampo sobrando, todos me solicitando... Grande merda isso tudo. Ah sim; Também vivo alegre. Apenas por viver a vida já me sinto calmo e feliz. Alguns amigos dizem me “rendi” às doçuras da vida burguesa que tanto praguejei. Não me importo com isso
Afinal são amigos.
Fato é que mediante a todas essas elucubrações inúteis, agora sim, me rendo às circunstâncias; Fui até a cozinha,abri a geladeira, enchi um pratão de tabule, abri a garrafa de vinho, coloquei um cd do Dave Brubeck para tocar e me deliciei. Oras...
Também quero ser Marvin Gaye...
_________________________________________________________________
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº2: Se Bertold Brecht fosse caboclo e dançasse maracatu...
Bem, me convidaram para assistir um show.
Nessa tal de “nova vida” (Que todo mundo diz que eu vivo e para não parecer chato eu admito) esses convites pipocam. Sob o pretexto de não querer ir para o céu, sempre dou um jeito de recusar uns 80% deles.
Acontece que esse último foi feito por minha doce amiga Carolina e aí, diante daquele sorriso largo, aquele rostinho a lá Madeleine Stone, aquela carinha meiga e feliz, nem mesmo a eminência da santidade me incomodava tanto. Fui.
O show em questão era do Mario Adnet. Baita músico, ótimo cantor, compositor dos bons, sei do Mario pouca coisa, o suficiente para crer que veria um bom show. Competente ao violão, parceiro da Joyce entre outros, interpretando temas de caras que eu gosto muito como Hugo Fatoruzo, Toninho Horta, Luiz Bonfá, vinha a São Paulo para lançar seu mais novo trabalho. Ta, até aí ótimo.
E que poderia dar errado numa noite linda como aquela, na companhia de uma diva como a Carolzinha, em um ótimo show como o do Mário?
Então vamos à vaca fria...
Era uma Quinta Feira em Sampa. Fim do mês, e o ingresso pela bagatela de R$ 60,00 pratas, ou seja. Nem todo mundo que gosta de música poderia pagar para ver aquilo tudo. Aliás, será que alguém que estava ali gostava de música? O show aconteceu numa casa metida a besta da Vila Olímpia. Estava marcado para as 20:00h e quando esperava para adentrar no tal recinto observei a fila.
Minha nossa...
Um bando de nego empolado, enforcados em ternos de pau, pernósticos, idiotas que falavam do crescimento de suas empresas, da bolsa de valores, do superávit mensal das mesmas, do calor do rio De Janeiro, do novo modelo dos seus carros “semipopulares”, dos investimentos pessoais, do próximo passeio a Angra, do... “novo” cd do Chet Baker...
Deu-me nojo.
Passei a refletir por ali; O que diabos esses caras irão produzir daqui a 20 anos? Que diabo um imbecil desse faz de útil na merda da vida? Fica rico. Mas para que? De que importa se um traste desses poderá ou não consumir à revelia? Com essas pessoas, poesia mofa. Inevitavelmente ficarão podres de ricos. E assim morrerão; Podres.
E durante o show?
De que adianta falar aqui que o Mario arrebentou? Que fez ótimas releituras de clássicos da musica Brasileira e do jazz, tocando standard’s do mesmo, de maneira autoral, com personalidade, classe e talento? Para que? Ali, quem se importava com isso?
Durante o show, ouvi milhares de piadas imbecis, de fofocas de escritório, cornos resolutos, conversas paralelas e pasmem; Um pedido de caipirinha de vodca com aspartame!!! Porque para o burguês, álcool não mata e sim, açúcar. Que horror.
Imediatamente fui remetido a uma série de lembranças. Uma delas, foi uma conversa com meu amigo Silvio sobre essa história toda do elitismo que a musica brasileira sofre. Vejamos:
A classe média, agora quer ouvir samba. Só que samba bom, veio dos morros cariocas e não dos apartamentos da zona do sul, onde um bando de burgueses ficava punhetando notinhas tortas de violão e brincando de João Gilberto (Que é um gênio, tem todos os meus respeitos mas, a vida toda brincou de Gerry Mullinghan e Roberto Silva. Espertíssimo o bom baiano. Brincou tanto que convenceu a todos que “criou” um gênero. E cada um acenda sua vela para o santo que quiser. Tal qual meu amigo Xico Sá, sigo acreditando apenas nos deuses que dançam.) e aí, tomaram a maniqueísta decisão que lhes convém; Trataram de “improvisar” um morro high tech. E explodem os eventos!!
Churrascos, Feijoadas, Festinhas, um preto simpático como convidado (Porque todo burguês tem uma vó preta na família...) e uma onda retrô varrendo essa gente. Escarram seus talões de cheque, contratam quem eles querem e fazem suas leituras tortas do que ouvem, lêem e assistem e assim, “reinventam” uma nova ordem social e cultural para seus umbigos; O Nelson Cavaquinho não era Bebum; Era “Boêmio”. Porque “pinguço” não pega bem no churrasco dominical. Noel Rosa não morreu de cirrose, ou pneumonia; Foi “falência múltipla dos órgãos”.
Vai falar que o sujeito bebeu até morrer? Não... O burguês não sabe dissociar as coisas.
Não entende que pouco importa a maneira que o cara escolheu para morrer, que nada disso tira a grandeza de sua obra e precisa passar botox na cara e na realidade para suavizar as coisas. Afinal de contas, no reino encantado que eles vivem não há nada de ruim.
Conflito? Para quê? Vivemos no país do suingue! O Rio De Janeiro continua lindo sediará copa do mundo e olimpiadas! O Leblon é divino, melhor que Cannes! Todos se Respeitam... Que nojo! Que coisa nojenta! Fake.
A classe média é falsa como nota de 3!
Enchem o cu de maconha e são a favor do Capitão Nascimento do TROPA DE ELITE. Porque para eles, “bandido bom é bandido morto”. E ainda assim se dizem contra a pena de morte. Contra até que a questão bata em suas portas de mogno. Tétricos. Idiotas!
Não sacam que a melhor forma de se considerar algo pode ser através do mais profundo desrespeito porque os mestres assim ensinaram. Gil me ensinou isso, Tom Zé me ensinou isso... Desrespeite, peite, encare, busca o novo burguês!
Vá para Pernambuco e saia da sua Orla! Sobe o morro, cara! Alto do Zé do Pinho! Conheça um maracatu de verdade, daqueles que pesam uma tonelada! Nada de ligth, entupa-se de Açúcar! Embriague-se! Seja de álcool ou de virtude mas seja pleno! Seja autêntico e tenha dignidade ao menos para ser burro, seu bosta!
O show continuava...
Lá pela sexta musica, na mesa de trás da nossa, sabe lá o diabo porque, nego lembrou do Peter Frampton. Outro, lembrou dele no Humble Pie e uma dessas mulheres cheias de plástica na cara, com o rosto mais repuxado que coro de tamborim, estufou o peito e mandou na banca a seguinte pérola:
“Não suporto rock. Os meus ouvidos são apurados apenas para a bossa nova...”.
Foi demais para minha camisa rosa do David Bowie.
Levantei, dei um beijo no rostinho da Carolzinha e avisei que daria uma saída. Em frente tinha uma banquinha de cachorro quente e por lá parei. Enquanto tomava minha latinha de Bhoemia no beiço, curtia com seu Paulo um cd ao vivo do Lindomar Castilho numa boa, feliz da vida.
E que bom:
Nem o meu ouvido, nem o dele são “apurados” para nada...
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº3 : Meu Blues para o povo meu e alguns votos de cianureto para "os tais bem aventurados"...
Eu não gosto muito de tratar desse tipo de assunto aqui no PUNHADO DE CAMELS... mas acho que quando escolhi o sub título ...E MAIS OUTROS BLUES, macumbisticamente, são os "outros Blues" esses assuntos. E como a vida não é pra ser do jeito que a gente quer vamo logo a vaca fria...
Nesses últimos dias o meu celular vem tocando muito. Poderia ser por conta do nosso festival o ABCdo SOM que acontece nesse final de semana, poderia ser a galera aqui, parceiros da midia local atrás de alguma informação mas enfim; Trata-se de meus amigos preocupados. É o seguinte:
Domingo último sofri um pequeno acidente domiciliar por conta de duas prateleiras que sei la eu fui fuçar, e cairam com tudo na minha cabeça. Na hora nada demais. Afinal sou um homem acostumado com a dor não porque eu queira ou goste mas por conta da vida que escolhi viver por uns anos passados ae...
Coloquei gelo, não saiu galo, hematoma mínimo... Segui o que tava fazendo, jantei, vi o meu Sportcenter na ESPN Brasil, lí umas páginas de um livrinho aqui do Deleuze que meu sobrinho de 16 anos me presenteou ao receber seu primeiro salário, do seu primeiro trampo, ouvi um disco do Manu Dibango e foi dormir.
E no começo da madrugada, senti fortes dores de cabeça, vomitei, o diabo. Não consegui dormi mas apaguei. As 10 da manhã da segunda acordei com minha mãe me avisando que havia ligado para meus amigos Robson e Piti que prontamente vieram em meu socorro e me levaram ao médico. Eu já não sentia mais nada e até conversava no carro, brincava e tudo mais.
Chegamos no posto de saúde do Bangu em Santo André e deparei-me com um quadro desesperador.
Pra começo de prosa, dei entrada lá as 12:04min e fui chamado as 14:47min não para a ser atendido e sim para me dirigir a outro corredor onde eu aguardei mais uns 40 minutos. Nesse interim vi de tudo...
Senhoras idosas passando mal, um homem com a pressão alta (26/12) na fila por não ser considerado "caso grave", outro com a perna fraturada deitado no corredor, a sala de medicação que parou de atender os que saiam dos consultórios e brigas, muitas brigas. Então tá. Vamo lá:
O que eu to querendo dizer com tudo isso?
Primeiro que não morri!
Que meus amigos se acalmem que passo muito bem. Só ando meio zureta por conta dos remédios que venho tomando e ja to quebrando aqui a recomendação médica que me mandou ficar 72 horas deitado. Comigo, aconteceu de fazer uma raspagem no olho para tirar um sangue pisado, uma remoção ao hospital Mário Covas em Sto. André para fazer a tomografia computadorizada (é la que tem a tal maquina) e estou careca porque no hospital rasparam um lado da minha cabeça e bem... num tava muito bonito daquele jeito... Tive que raspar o resto.
Mas isso não é o mais importante.
Se eu fosse um burguês nojento, filho da puta, asqueroso, classemediano podre e desumano seria fácil: Só descer o pau no hospital, no atendimento e tudo mais. Só que ao invés disso, eu preferi ser um idiota cheio de escrúpulos, humanismos, consciência social e algum intelecto. E to muito feliz por ter escolhido assim, afirmo desde já!
Naquele posto de saúde havia aproximadamente 300 pessoas. São 300 cidadãos brasileiros que pagam impostos, que trabalham (se não trabalham não é porque não querem...) que vivem cá nessa terra e através disso, ajudam esse país crescer. No Brasil, país FEDERALISTA E PRESIDENCIAL há uma constituição vigente cuja função é garantir os direitos mínimos de seus cidadãos tais quais saúde, educação, cultura e outras "bobagens"...
Portanto aquilo é responsabilidade da Federação, Do Estado e no caso, do município de Santo André. Seria muito canalha eu vir aqui e espinafrar as pobres atendentes que puxam turnos de 12 horas por dia, com 1 hora de almoço, em 6 dias de trampo por um salário de R$ 1.200,00, apenas porque eu "estava cansado de esperar". Haviam mais 299 esperando e não sou nem nunca vou ser melhor ou pior que ninguém...
Fácil e cafajeste, esculhambar o médico que, ao detectar a gravidade do caso, (responsabilidade minha que não levei a sério na hora), prontamente tomou as medidas necessárias, usando todos os recursos que tinha e quando tinha mais, imediatamente me encaminhou para onde existiam os tais recursos.
Agora passo bem. Muito bem. Por isso fiz questão de vir até aqui.
Não é apenas a saúde pública do Brasil que é uma vergonha. Um lixo, uma porcaria de serviço que deveria ser prestado da melhor forma possível porque, como cidadão tenho direito a isso! Não to pedindo favor aqui to exigindo que isso seja feito! Mas além de ser uma porcaria o problema vai além. Estamos ainda numa estrutura moralmente falida, arcaica, desumana e negligente com as questões básicas das condições de vida do povo.
A coisa melhorou muito. Mas não da pra cobrar de um presidente que em 8 anos ele resolva um problema que ha 5 séculos esta arraigado na cabeça dos governantes daqui. Não da para o presidente ser prefeito de santo andré também. Aliás, o nosso tal prefeito aqui, médico de formação, bonachão, cara de bunda e demagogo, tão logo venceu as eleições municipais foi ver as condições destes postos de saúde.
Mas será que em algum momento ele procurou saber das condições profissionais que estas pessoas que lá trabalham estão expostas? Sim porque cacete, toma a coitada da atendente e não o prefeito. Não o vereador corrupto, eleito, mentiroso, nepotista e cabideiro. Quem está lá pra responder pelo município??
Dona Cinira.
Uma senhora negona que disse que gostou da minha camisa do Gonzagão, 59 anos de idade, mãe, avó, portadora de uma diabete que segundo ela vem dando muito trabalho, que entra no serviço as 6 horas da manhã e sai as 18:00min da tarde, por aquele salário que disse acima.
Perguntei se ela já viu o prefeito, o vereador que ela votou, o secretário municipal de saúde, algo do tipo e ela me disse que foi na câmara pedir uma ajuda para o tratamento da diabetes dela pro vereador que a prometeu isso e teve como resposta "Que Dr. Fulano estava muito ocupado para atende-la"
E agora? Desço o pau na véia porque ele "não votou conscientemente???" Estou sendo "paternalista" ao querer "transferir para outro a responsabilidade dessa senhora ao votar no canalha?" Vamo lá!! Manifestem-se todos os Descartianos! Falem meus amigos inteligentes e sofistas... Tasquem na minha cara parágrafos de A REPÚBLICA de Platão pra dizer que estou errado... Venham... Venham que to aramado até os dentes de argumentos pra gente encher a cara como bons amigos que somos e brigar a madrugada inteira por isso!!!!
Que apareçam meus desafetos pra me chamar de populista pequeno burguês! Que venha a promotora maluca que me perseguiu em função de um conto publicado aqui. Jumenta que não sabe interpretar o que lê... Cade vocês, "sociedade brasileira"?????
O anarquista aqui sou eu. Não são vocês os engajados? Engajados em que?? Me digam...
Bem...
Não obterei resposta pra maioria das questões que fiz aqui. Dane-se! Ja to acostumado com isso mas quieto não ficarei jamais!!
Agradeço portanto aos meus amigos Robson e Piti pela solidariedade, prontidão e amizade, ao meu amigo Pagé que está segurando as pontas no Cidadão Do Mundo por mim nessa semana pra lá de complicada ao Marcião, Leila e a toda galera do Cidadão Do Mundo. Amo a todos vocês.
Mas esse post, esse Teorema é portanto a minha homenagem aos atendentes, médicos, motoristas, enfermeiros e a todas as pessoas que me atenderam da melhor maneira possível, a quem passo a dever um favor que talvez pague jamais. A vocês, bravos e dignos funcionários públicos, meus mais sinceros agradecimentos, do fundo desse velho coração latino. São pessoas como vocês que ainda me fazem ter orgulho de ser Brasileiro.
Sei que a homenagem pouco fará de efetivo pra resolver o problema todo. Mas sou escritor amigos, isso é só o que sei fazer.
Espero que neste caso, tenha feito de maneira satisfatória ao menos...
___________________________________________________________
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 4; Uma pequena crise de Henry David Thoreau, com azias, queimações estomacais e uma Ode a Masekela...
Tomei todas na casa da Raquel. Há quem diga que em dias difíceis é o melhor a se fazer. Não sei...
Ultimamente não ando com muito saco pra festinhas, conversinhas, encontros, convenções, reuniões e mais uma série de outras papagaiadas. Muito trampo a fazer, outro desafio se aproxima e tenho me concentrado demais nisso. Vivo um momento em que preciso de todo mundo mas, sem dúvida, preciso muito mais de mim mesmo. Pelo menos enquanto eu me suporto.
Aí as 01:05 horas da madrugada de sábado me aparece Carlão cheio de pinga, com o carro parado na frente de casa, tesourando meu Hugh Masekela pra me berrar:
"Porra num vai na festa da Raquel, caraio? Vai ficar trancado ae ouvindo Bauhaus e virar bicha??"
...
Teria mandado o amigo tomar no cu em qualquer outra ocasião mas no caso da Raquel, ae eu aguento...
Minha amiga era estilista, trabalhava na Ellus, estava fora do Brasil há sete anos morando em Milão e ao voltar, organizou uma festa que em cima da hora, acabou se transformado em um bota-fora; Naquela mesma tarde foi comunicada que teria que se transferir para Berlin. Depois de muito uísque, muita conversa fiada e algum sexo, acordei às duas horas da tarde em busca de um banheiro.
After Day, clássico!!
Gente dormindo pelo chão do apartamento, outros passando mal nos vários banheiros daquele enorme apartamento dos Jardins, alguns conversando besteiras, Carlão semi-morto numa cama em um dos vários quartos e eu que sem ter nada para fazer, nem mesmo uma besteira edificante para dizer, esperei livrarem um banheiro, dei uma cagada daquelas bem fedidas e em seguida, fui até uma sala, onde em frente a um enorme aparelho de televisão em formato de plasma, estavam sentados a Raquel, uma amiga dela e mais outros dois caras.
Um deles, designer gráfico de uma agência de publicidade que eu já havia feito uns trampos numa época em que eu não namorava; Era vira-lata de uma judia rica que me descolava essas bocadas. Na tela pude ver que estava passando um daqueles horríveis programas de auditórios que empesteavam a tv aberta nas tardes de domingo.
“Senta Marcelo... Vêm assistir esse show de horrores conosco.. Você anda precisando dar mais risadas..." – Convidou-me a Raquel em meio a uma série de risadas dos outros:
“Nada... O Marcelo é intelectual, refinado demais para assistir essas porcarias não é Marcelo??” – disse-me o que era Designer Gráfico.
Todos continuaram a rir, se não me engano de um sujeito do sertão do Sergipe, que cismou que seu porco, sabia cantar a música “GARÇOM” de ReginaldoRossi. Verdadeiro hino do brega!
Continuaram a proferir impropérios contra a “População que assistia àquilo...”
Sem se darem conta que eles faziam parte dessa mesma população e que talvez, o motivo que impulsionava a tal população que eles diziam assistir a tais programas, seja a mesma curiosidade deles, diante daquela suntuosa tv de plasma.
Mas então eu resolvi vestir a camisa, para tentar entender toda aquela coisa e descobrir o que fazia com que os meus, assistissem a esses programas:
Então ta bom; Vá lá; A televisão brasileira é uma máquina de vender merda e os programas dominicais são campeões nisso. Tudo bem; É um fato.
Quanto a isso nada tenho a questionar.
Também não quero ser advogado de ninguém; Não gosto de pagode, realityshows nem de outros tantos produtos oferecidos por essa tão poderosa máquina.
Acontece que eu estou ficando velho e com isso a beligerância de outrora acaba se tornando uma irritante tolerância ou, uma conivência burguesa de fazer inveja aos gênios do “New” Assistencialismo que oferecem uma vara para o cara pescar uns peixes. No que pese o fato do sujeito não conseguir nem andar de tanta fome que passa, mas... “Aí está vara; Se vira!”
Mas voltemos a questão:
O sujeito trabalha em um subemprego que lhe paga 500 reais ou pouco mais que isso em um mês; Tem família; Geralmente mulher e mais de um filho. Provavelmente não tem casa própria e tem que pagar aluguel com essa grana que mal lhe serve para comer. Não teve escola, não tem formação, não tem assistência médica, seus filhos não vão ter acesso à educação e mais porra nenhuma que um cidadão tem por direito em uma sociedade dita, organizada.
Essa sociedade só se lembra dele nas vésperas das eleições. Sem informação e conscientização alguma, acaba ajudando a eleger um congresso podre e falido moralmente, que ao invés de representa-lo, junta-se para ser testa de ferro e lobista de grupos organizados e foda-se a população que elegeu o maldito do deputado. E agora os meus:
Estão totalmente esquecidos.
Com muito sacrifício consegue um trocado para tomar umas pingas e pagar a conta de luz para assistir o futebol nas tardes de domingo depois de passar um tempo com a esposa que assiste sim, a esses tais programas de auditório. E vocês queriam o que? Que numa situação dessas, o coitado fosse assistir PROVOCAÇÕES e OSERVATÓRIO DE IMPRENSA?? Seria ótimo! Eu assisto a ambos.
Acontece que, quem trabalha para comer, não tem muito tempo para perder com elucubrações pequeno burguesas., nem para fazer filmes que ninguém vai ver. Muito menos, festas boas em bairros bacanas para ir aos sábados e tem que esperar as migalhas do 13º salário para poder comer uma coxa de peru e tomar um copo de sidra no final do ano.
Eles não possuem aparelhos de tv de plasma, não chapam de vodka polonesa, nem tem sofás de couro, para repousar a bunda e falar merda, de ressaca, aos domingos à tarde.
Provavelmente aquela sala onde estavam meus amigos era duas vezes maior que a casa onde moram as famílias que assistem os programas que “Irritam os intelectuais” que nada tem a fazer, muito menos no que pensarem. Os meus, são pessoas com muitas outras coisas para se preocupar e não perdem tempo com azias pouco nobres...
“Que é Marcelo? Ta deprimido??” – Brincou minha amiga Raquel.
E como disse, não tendo nada de “interessante” para dizer, virei-me para o quarteto que assistia tv e comuniquei:
“Não; Acho que estou com diarreia... Vou cagar outra vez...”
____________________________________________________________________
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 5; A Insustentável, Complicada e Maravilhosa Condição de "Ser Amigo". E uma Ode à Howlin Wolf
Domingão 08:40 ma matina; Eis que tenho o quarto de casa invadido por Carlão, Pedrinho, Zé Nogueira e Renata. Deixaram para o Carlão que tem a delicadeza de um Obelix, a tarefa de me acordar aos safanões. Motivo:
Decidimos ontém a noite fazer um churrasco, só que lá na casa da Bia em Ubatuba... - Informou-me a Renata. Meio sonolento mas ja puto respondi:
Ta... Ma que porra eu tenho a ver com isso?!?!?!
Ahhhhhhh Caraio!!! Tu ta abaitolando de vez mesmo porra... Eu falo; Esses papo ae de nêgo escrever poesia, conto, causo... Ó aê que porra que dá; O cara chega nos 40 vira bichona fresca!!
Bichona teu cu, Carlão!! Trampei ontém até as 04 e pereca da madruga, escrevi até as 07:00, pego no sono e me aparece aqui um bando de bebum me falando de porra de churrasco??! Ah vai tomar no meio do cu ceis tudo!!!
Falei e virei pro lado. Nessa hora, todos eles resolveram me puxar, empurrar, pular em cima e pronto; Arrebentou o estrado da cama.
Ótimo, agora durmo no chão!!!
Depois a gente da um jeito nisso. Vai; Escova essa boca, lava a cara, pega bermuda e chinela e vambora que ja ta tarde - Falou Albí
Porra... Ainda eu estou atrasando os senhores??? Desculpa tá...
La fui eu, roncando pra porra da praia fazer merda. Antes pensei comigo, "só amigo mesmo..." Amigo a gente num briga, não tem raiva, porra nenhuma. Tava podre! Cidadão do Mundo um dia antes, 4 bandas, trampo pra caraio, cheguei em casa podre. Foda-se! Os amigos queriam fazer um churrasco. Comecei pensar nisso e lembrei de uma outra grande amiga nossa e mais um daqueles casos que só pode acontecer entre amigos...
Depois de quatro noites de trabalho seguidas, no Cidadão Do Mundo, Aline me procurou intrigadíssima:
Estava puta da vida com um tipinho escroto que era obrigada a conviver no trabalho. Aline, minha amiga, era jornalista e eu a conheci quando éramos estudantes na PUC. A conheci lá, antes da minha grana acabar e eu abandonar a faculdade para me tornar escritor duro e fudido. (Na época, 1993, eu achava isso chique pra caralho. Tonto...)
Ela nunca me perdoou:
Disse que não entendia porque diabos eu não entrava no programa de bolsa de estudos e espumou de raiva quando eu a respondi que tal atitude devia-se ao fato de ser eu anarquista e ateu e não poder cometer o contra-senso de pedir bolsa de estudos para os padres católicos, donos da faculdade. Mesmo assim ela respeitou minha decisão.
Dizia que eu tinha talento.
Que era um cara inteligente, altamente intelectualizado, extremamente culto, mas com uma dose de dadaísmo voraz, em minha personalidade. Aí, eu dizia que minha literatura se alimentava desses contrastes e ela sorria dizendo que era impressionante o arsenal de respostas prontas que eu tinha para defender meu “doce pilantrismo” e eu adorava essa definição; “DOCE PILANTRISMO”...
Fato é que a Aline não deixava por menos; Era culta, inteligente, falava mais de seis idiomas com fluência. Adorava Deleuze, Niestchze, Kant, Platão, Marx, lia Proust, Focault, Thomas Mann, adorava filmes do Visconti, Tarkowiski e mais outros do Godard e a porra daquele seu grupo o Dizga Vertov dos anos 70, que chegavam a me azedar o fígado de tão chatos e parar trio elétrico no carnaval baiano de tão brochantes! Olha que eu “amo” o Godard:
“É alimento pra cabeça,Marcelo...”
“Ainda bem... – Pensava eu – Chato desse jeito, com a gastrite que eu tenho, faria um estrago da porra no meu estômago...”
Torrava-me a paciência para que eu a acompanha-se em concertos de música e óperas. Prezava por minha companhia, mesmo comigo levando meu indefectível aparelho de ipod para o caso de o Concerto ser muito maçante. Ria muito disso.
Era linda!
A primeira vez que a vi na Puc, achei ela idêntica à Isabela Adjanini. Como tenho um fraco por atrizes francesas, fui até ela durante uma de nossas aulas munido de argumentos apócrifos.
Ela me desarmou quando eu fui inventar de ressaltar tal semelhança e ela, muito perspicaz, transformou meu xaveco em uma acalorada discussão sobre Novelle Vague, Marcel Carné, Chabrol, Truffaut e o caralho a quatro. E quando a discussão estava ficando boa, fomos convidados a sair da sala por estarmos atrapalhando a aula.
Resolvemos então, que iríamos até um bar próximo da faculdade para continuarmos nosso embate cultural e a Aline, surpreendeu-me com a sua enorme predileção pela Vodca.
Resultado:
Saímos os dois Bêbados, feito duas vacas!!!
Viramos amigos desde então. Ela tornou-se renomada colunista cultural, disputada a tapa, por todos os grandes jornais do País, e eu, não me tornei nada, não; Continuei bêbado, duro, desempregado, inconseqüente e “talentoso”.
Nunca perdeu o vínculo comigo. Permaneceu amiga e companheira. Nunca cedeu as minhas investidas sem vergonhas, respondendo-me que éramos amigos demais para transarmos e eu retrucava dizendo, que
“...Você nunca me levou a sério como homem...”. Invariavelmente, isso acabava em gargalhada.
Agora, ao abrir minha caixa de mensagens, deparei-me com um recado dela pedindo-me para que eu a encontrasse no Enios Bar em Santo André, porque precisava demais falar comigo. Fui:
Ao chegar na porta, eu a vi, aparentemente ansiosa, me esperando já na mesa.
Fez-me um sinal, eu respondi. Fui até seu encontro e ela levantou-se para me dar um forte abraço e um beijo gostoso no rosto. Depois me convidou para sentar e após minha pergunta, começou a me contar o que estava rolando...
Era o tal cara:
Tratava-se segundo ela, de um cara desprezível.
Perguntei porque e ela me disse, que o tal tipinho, era uma daquelas pessoas fúteis, vazias, burras, ignorantes, interesseiras que se preocupam com a marca do carro, com o estado do estofamento dos mesmos, mas que não tem um mínimo de comprometimento social, não sabem nada da realidade do país, que se escondem, atrás do clube de domingo, da casa de praia no Guarujá ou de Angra e que por lá, criam uma espécie de mundo paralelo, criando uma realidade virtual para agradar seu próprio egoísmo.
Contou-me que foi parar no Jornal em que ela trabalhava não por méritos, mas porque o pai era rico e influente anunciante do mesmo Jornal e que esse, usou de sua influência para “pedir” que dessem uma chance ao filho que fazia faculdade há dois anos. Por imposição dele (O Pai) o garoto foi parar lá do lado dela, dessa forma.
Também me falou, que era um rapaz muito bonito e muito metido a besta, chauvinista, tipo “macho latino”, que conquistava todas as garotas que queria e ela, não sabia como essas garotas poderiam ser tão estúpidas, por dar trela a um cara daqueles...
Eu ouvi a tudo. Depois, fiz uma pergunta a qual na hora, me pareceu muito comum mas só depois daquele porre, fui notar o quão acintosa era.
Perguntei-lhe:
“Aline; E você? Será que aí na sua cabeça, você não está lutando contra uma possível atração física por esse rapaz? Será que você não luta, contra você mesma para não se tornar, “mais uma dessas estúpidas...” que você acabou de dizer?”
Ela enfureceu-se como nunca havia visto antes! Levantou-se da mesa, gritou comigo, desconjurou tal possibilidade e me disse “que eu estava louco e que isso jamais poderia acontecer...” Eu pedi calma.
Depois ainda tentei dizer-lhe que eu não estava entrando numas de julgar esse ou aquele, essa ou aquela, mas que estava apenas pensando à luz da razão e que, pensando dessa forma, conhecendo-a como eu conhecia, poderíamos estar diante de um simples caso de atração física e que se fosse esse o caso, talvez, seria melhor que ela desarmasse o espírito, esquecesse essa estupidez de discussões filosóficas porque as paixões violentas, têm um gosto que filósofo nenhum jamais experimentou. Ela não me falou mais nada. Jogou uma nota de cem na mesa, levantou-se e foi embora.
Confesso que fiquei feliz da vida porque a conta deu apenas Vinte e sete pratas e eu fiquei com todo o troco para chumbar o coco no bar das putas, perto do terminal intermunicipal de Santo André. Não esquentei a cabeça com a intempestiva atitude de minha amiga, nem depois desse episódio, quando fiquei dias sem vê-la.
Era uma jornalista muito ocupada e eu sabia que não era sempre que ela tinha tempo para responder minhas mensagens e eu não quis parecer chato ligando para os telefones dela.
O Tempo passou:
Desse nosso último encontro, já fazia sete meses. Descobri por intermédio de uma amiga em comum, que ela estava morando e trabalhando como correspondente em Nova Iorque. Fiquei feliz por saber que ela estava bem como sempre e isso já me contentava.
Foi então que eu cheguei mais cedo da redação da revista que eu estava trabalhando. Escrevia lá meus contos e uma coluninha de cinema. Nada muito suntuoso e edificante; Dava para pagar as contas de água, luz e telefone e ainda sobrava algum para o cinema, o motel, o uísque e para mim, isso já era bom demais.
Estava entrando em casa, quando minha mãe veio ao meu encontro eufórica; Disse-me que tinha uma amiga minha, me esperando para me entregar um convite de casamento e que ela (Minha mãe) a segurou até que eu chegasse. Só então que eu pude reparar que em frente a minha casa, tinha um Passat Alemão Zerinho, importado, preto, lindo. Julguei que talvez fosse dessa minha amiga e acertei; Era da Aline.
Encontrou-me no corredor do quintal de minha casa deu-me um forte abraço como nos velhos tempos, comunicou-me do casório que seria em breve e quando eu perguntei sobre o noivo senti que ela se constrangeu de leve. Entramos na sala de casa e vi um rapaz muito bonito, muito jovial e muito simpático que disse que estava estudando jornalismo e que conhecia meu trabalho na revista Art’s e que era meu assíduo leitor.
Convidei para tomar uma cerveja comigo e enquanto ele abria a lata eu perguntei onde ele havia conhecido a Aline. Respondeu-me que foi na redaçãodo jornal em que ambos trabalhavam. Disse-me que seu pai era anunciante do jornal e que isso o ajudou a conseguir uma chance por lá.
Falou-me disso com uma sinceridade incrível.
A mesma com que me relatou o quanto era difícil se divertir com a Aline que não gostava de ir com ele no pagode e nos rodeios. “Ela prefere a tal de ópera, mas pra mim não dá, cara; Sou burro demais para isso...” E rachou o bico. Eu acompanhei a gargalhada. Conferi a data do casamento e depois não perguntei mais nada.
Apenas olhei para a cara da Aline que em troca, me lançou um olhar de aprovação concordando com qualquer que fosse o meu pensamento naquele momento.
Ela sabia que eu tinha razão desde o começo...
___________________________________________________________________
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 6; ABANASIS E PÁGINA 42 DO LIVRO DO FRANCÊS...
Na vida eu tive milhares de frustrações das quais me orgulhei e algumas “vitórias” que nem sequer faço questão de lembrar. Frustrar...
Frustrei-me, com as indiretas dadas a mim via congresso nacional em 1985. Depois me frustrei em 89 e 92 pelas mesmas vias de fato, embora em uma dessas, com a novidade do “direito” de 51% da nação ser burra. Venci um ano antes (1991) quando juntei todos os trocados e todas as anfetaminas que tinha há época e consegui ver o show do Eric Clapton.
Revoltei-me nos anos 80, quando me foi negado o direito de ver um filme do Godard e 15 anos depois quase saí na porrada com um intelectualóide puritano e careta que esculhambava um moleque que estava numas de curtir um filme do Buttman. Afinal, que diferença tem em bater uma punheta para Nina Hartley, ou para a página 42 de “A NÁUSEA?” Simples:
A Nina Hartley é muito mais gostosa que o Sartre...
“Venci” uma batalha jurídica contra uma multinacional que me mandou embora por eu ter dado um murro na cara de um canalha racista e segregacionista que era meu chefe. Essa vitória se intensificou quando me recusei a receber a indenização proposta. Caráter não tem preço, portanto, desistam; Não vão conseguir me comprar.
Perdi todos os “bons” empregos que arrumei, mas beijei quase todas as bocas que eu quis (Alguns desses empregos eu perdi inclusive em função disso...) Me fodi pra caralho...
Trabalhei nos piores lugares pelas menores merrecas salariais, conheci as melhores pessoas, ouvi as melhores histórias protagonizadas por aqueles (Esses sim...) que são os verdadeiros vencedores. Transei com mulheres maravilhosas, com outras tantas não muito maravilhosas, com as maiores santas e as melhores vadias. Algumas me amaram e para outras tantas, jurei o mesmo. Não fui fiel.
Amei, prometi, menti, traí e espero ter sido traído também. Não para amenizar a culpa, mas para manter o ecossistema... Hoje? Bem...
Em 2007, tenho conta no banco, por lá me ofereceram “cheque especial” e ando pensando em me enfiar num financiamento para comprar um “carro popular”. Um amigo meu dos tempos do inferno (Um dos que sobreviveram...) me acusam de “vendido” por isso e pelo fato da minha nova namorada morar na zona nobre de São Paulo. Para mim, “Zona” é zona e ao invés de responder-lhe, lhe paguei uma cerveja. Pouco adiantou; Ficou puto quando não o acompanhei ao copo. Além das drogas, larguei o álcool e me cuspiu nas fuças um “Você é um burguês” ·. Dou um gole na minha Schwepps e sorrio.
Fora isso continuo o mesmo.
Amo, tão apaixonadamente quanto odeio. Não tenho mais saco para cheirar cocaína e ao invés de analistas e psicólogos, me encontro e me reavivo com um som do James Gang e no meio das pernas das putas maravilhosas que passaram, passam e continuarão passando pela minha vida.
Perdi a minha velha jaqueta jeans que há 10 anos me servia de maneira bem prática. Agora uso blusas e tênis Adidas porem, mantenho o velho amor pelo meu All Star preto, fudido e estourado. Sou requisitado por um monte de revistas, sites e outras porras dessas para escrever sobre música, cinema e literatura, arrumei bons amigos e pasmem; Já tenho a minha meia dúzia de puxa de sacos!
Não descarto a possibilidade de um dia, acordar meio virado e chutar essa merda toda para o alto, tal qual Fred “Sonic” Smith fazia no saudoso MC 5.
Sei que minhas chances de sobreviver nesse mundo do caralho são poucas, sendo eu do jeito que sou. Mesmo assim insisto porque sou o furúnculo encravado na alma dos contentes, os incomodo e sei que enquanto eu estiver por aqui, jamais irão conseguir me “expelir!”
Espero que os idiotas consigam me entender...
__________________________________________________________
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 7; O RESULTADO DE UMA PROVÁVEL JAM SESSION COM PAUL DESMOND E ODAIR JOSÉ...
Ela me disse que “estava em busca da luz” e eu a informei que o interruptor ficava à sua esquerda...
Minha amiga falou disso comigo, durante uma visita feita por ela para me contar de sua conversão ao budismo tibetano. Gente boa a Carol. Era atriz e trabalhava para o Grupo Tapa. Conceituado grupo de teatro de São Paulo. Ela merecia. Ralou muito. Estudou e trabalhou pra caralho para chegar lá. Legal recebe-la, mesmo sendo eu totalmente avesso às visitas. Mas a Carol era diferente.
A merda era que o momento que ela escolheu para me contar tão mística decisão tomada por ela, não era dos melhores.
Já fazia um mês que havia acabado o emprego temporário que eu tinha descolado e o que entrava em contagem regressiva agora era o meu dinheiro recebido pelo último mês de trabalho. É foda; Por menor que seja o apego que você tenha pela porra da grana é simplesmente impossível você se dissociar totalmente dela. Até porque, esse apego que te falta é suprido de maneira maravilhosa por aqueles que te cercam...
Era um que lembrava da conta de telefone, outro que lembrava que a parede há muito necessitava de uma mão de tinta e mais mercado, feira, farmácia... Puta que pariu!! Quando eu era desempregado, era feliz e não sabia... sei lá.
Talvez eu pensasse nessa estupidez toda, como uma espécie de antídoto para os duros meses que viriam pela frente. Se bem que tecnicamente eu não estava totalmente desempregado. Fiz contatos. E durante aquele tempo que trabalhei naquela agência de publicidade, conheci algumas pessoas legais. Uma delas me fez uma providencial ligação oferecendo-me trabalho em uma conhecida revista de música. Era um artigo, quase uma pesquisa, sobre o “lado B dos anos 70”. Segundo o educado carinha que me recebeu na redação na revista, tratava-se de “um estudo aprofundado de algumas bandas de hard rock que apesar de influenciarem uma porrada de bandas atuais passaram batidas por toda aquela década punk, progressiva e purpurínica”. Achei até interessante a idéia.
Confesso que cheguei até a me impolgar. O que fodeu com meu ânimo foi saber na reunião de pauta, que a capa da revista seria o Samuel Rosa do Skank. A entrevista central da revista seria com a Carla Perez, cuzuda do grupo Tchan. E mais; Dez páginas seriam dedicadas a “super produção” cinematográfica FIM DOS DIAS e mais um monte de matérias coladas de outras revistas. Aí eu pensei; “No meio disso tudo, onde é que eu vou enfiar MOUNTAIN, JAMES GANG, SIR LORD BALTMORE, BABE RUTH,...?”
“No meu cu!” – pensei comigo mesmo no metrô, enquanto eu voltava para a casa. Mas como quem precisa trabalhar tem que engolir de tudo que é sapo resolvi que iria fazer o trampo e foda-se. Pois bem.
Foi durante esse meu “aprofundamento”, que a Carol, toda feliz, me falou do “aprofundamento” dela. Ela se preocupando com a espiritualidade enquanto eu me “aprofundava” em THEN YEARS AFTER, PINK FAIRNES E DR. FEELGOOD... Ou seja:
Não rolou a menor comunicação entre nós. Pena. Eu adorava a Carol e bem que eu gostaria de parar o meu “aprofundamento”, para ouvi-la falar do Dalai Lama, da opressão chinesa sobre o Tibet ao longo dos séculos e claro; Da considerável possibilidade de varar a noite e a Carol em uma transa onírica!! Não rolou. Nem o clima, muito menos eu, colaboramos muito para isso. Mesmo assim a Carol ficou comigo por mais de duas horas. E quando se despediu me beijou com a boca de Marlboro deliciosamente. Grande mulher. Fiquei de ligar. E era nisso que eu estava pensando às 03:15hs da madrugada daquele dia:
“Ligo para ela ou não?” Não. Me parecia descabida a idéia de combinar por telefone, algo que eu deixei de fazer em loco. Deixa pra lá. Outra hora a gente transa. E agora enquanto eu ouço um bom disco do THE FUGGES, descobri que às vezes na vida é melhor você priorizar as coisas a serem aprofundadas.
Tem lugares bem melhores que os livros do Marx para você enfiar a cara, bicho.
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 8; O IMBECÍL CONVICTO E ALGUNS CONTRATEMPOS EM UM SÁBADO A NOITE COM A BELA DE OLHAR TURQUESA...
Em certas ocasiões da vida gente é inevitável a presença do imbecil de cátedra...
Bela noite de outono; Embarquei em um trem na estação Santo André ás Dez da noite de um sábado, preocupado com um conto que eu devia para uma porra de uma revista que eu passei a escrever, rumo ao Sesc Consolação para assistir um Filme do Rhomer. Aí decidi passar pela boca do lixo; Música ruim vinda dos bares, muita briga e, caso eu estivesse ainda na pauleragem dificilmente sairia vivo daquele lugar; MUITA DROGA!! Nunca havia visto tanta cocaína na vida, bicho! Vinha de tudo que era lado, de tudo que era jeito, trazida pelos tipos mais improváveis; Policiais militares, vendedores de côco, pregadores evangélicos, enfim; Todo mundo ganhava grana com o tráfico na noite paulistana. Eu?
Bem, como já disse, faz mais de dez anos que estou careta e sem a menor paciência para ter uma recaída. Afinal de contas eu já levei tombos demais na vida e “cair” ou “recair” já não me interessa mais. Aliás, quando nada de interessante parecia acontecer ela entrou no trem...
Embarcou em São Caetano. Usava um top preto e uma calça jeans surrada. Tinha cabelos loiros, olhos azuis, corpinho tentador que não passava de um metro e sessenta de altura. Trazia consigo uma mochila a tira colo, um livro da Clarice Linspector, que eu pude ver que era “PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM”, além do frescor de seus vinte e poucos anos. LINDA! Quando veio em minha direção para dizer “Dá licença...”, sorriu-me de tal forma, que todo e qualquer sentimento bélico a partir daquele sorriso foi exterminado.
Eu me levantei e deixei ela sentar-se na janela. Aproveitou então para apoiar a perna e seu All Star vermelho no banco que ficava em nossa frente. Aconchegou-se e mergulhou profundamente no maravilhoso universo de Clarice. Só de poder olhar para aquela bela menina eu já ficaria contente. Afinal de contas, por pelo menos 25 minutos que separavam o ABC do centro de São Paulo, eu poderia ter contato com alguma coisa bela para amenizar o inferno que viria pela madrugada afora. Mas como disse no começo, de vez em quando, as coisas do universo conspiram a nosso favor...
O trem andou por uma estação e parou no Tamanduateí. Depois de algum tempo uma voz nos avisou no alto falante que “Essa composição aguarda sinalização...” e então nós ficamos parados.
“Mas que porra!” – Ela reclamou olhando para mim.
“É; Pelo jeito você vai ter que ficar olhando para essa minha cara feia e barbuda por alguns minutos...” – Falei:
“Tem problema não; Eu trabalho em Mauá e estou acostumada a ver coisas bem mais feias”... – Falou-me e na seqüência riu prazerosamente. Depois resolvi tentar iniciar uma conversa:
“Além de ler Clarice e rir das repugnâncias da vida, que mais você faz de bom? Ou de ruim, sei lá...”
“De bom eu faço pouco; Ouço Mutantes, danço ouvindo Led Zeppelin e bebo uísque Jack Daniel’s; De ruim? Estudo Direito no Mackenzie, trabalho no fórum de Mauá, e levo o resto da vida toda torta...”
Nós rimos:
“E você, rapaz fã de Stooges? Além de tentar viver um grande amor nos trens metropolitanos o que mais você costuma fazer?”
“Escrevo para uma revista de literatura, faço parte de uma Associação cultural em São Caetano e me esforço para causar distúrbios sociais em ambos...” – Respondi:
“Ahh... Ainda bem que você ainda se esforça para causar os tais distúrbios neo Trampo de segurança deve ser melhor, né...?” – E riu de novo:
“De vez em quando é mais animado...”
“Qual é a revista que você trabalha?”
“Uma que se diz “Alternativa” mas que custa quinze pratas... Chama-se ART’S...”
“AHHH EU CONHEÇO! Leio Sempre...”
“Ce vê que praga...” – Falei e ela riu:
“O que você escreve?”
“Contos. O último foi um conto escatológico, INSEMINAÇÃO HEPÁTICA PARA FRIGIDEZ...”
“VIXIIII... EU LI! VOCÊ ENTÃO É O PORNÓGRAFO!!!??” – E desta vez ela gargalhou com vontade:
“Pois é... Sou eu. E você não deve ter muita coisa para fazer, né? Lendo meus contos...”
“Nada cara... Eu me divirto pra caramba com suas cafajestajens. Sabe, quando eu li seu conto comecei a tentar imaginar como você era. Muito louco tudo isso, porque você era exatamente como eu imaginei, cara...”
“Ta; E como é isso?”
“Sei lá... Você tem cara de punheteiro velho, que freqüenta boteco de quinta categoria, come ovo cozido bebendo dois dedos de rabo de galo com a barriga encostada no balcão...”
“Acho melhor eu nem perguntar se isso é bom ou ruim...”
E então nós dois gargalhamos...
“Meu nome é Clara.”
“Marcelo...”
“Muito prazer, Marcelo...” – E apertou com força a minha mão:
“Espero que seja...” – Respondi. E iniciamos uma conversa...
Descobri que ela era Gaúcha, que estava em São Paulo para estudar, fazia dois anos. Que tinha saudades do mate, do sul e do Grêmio. Contou-me que morava em um lugar legal de São Caetano, no bairro Barcelona onde era vizinha de um boteco que tinha com ela, uma “franquia”, pois lá, ela levava os limões e o sujeito lhe devolvia uma caipirinha em troca. Reclamou no entanto, que em contrapartida tinha que agüentar uma música de sexta categoria, de bandas de música sertaneja (“SERTANOJO”, segundo ela...) Que o cara ouvia e quando ele atrapalhava o seu sono com aquela merda no último volume, ela tinha vontade de botar fogo no bar. Também me falou que era comunista e que o tipo tirava uma de sua cara, chamando-a de João Amazonas, devido a essa “opção política” e que isso a emputecia. Perguntou se eu era Comunista, Neoliberal ou o que, e eu respondi que era Palmeirense!! Ela sorriu, me chamou de louco e eu revidei, respondendo que na verdade, ela estava era apaixonada pelo botequeiro das caipirinhas. E então ela deu uma “gauchada”:
“Bahh, tu ta tri louco, guri!!!”
Eu a imitei e ela deu risada afirmando que gaúchos não tem sotaque e sim eu, que era paulista. Depois me falou de outro conto meu que ela leu na mesma revista sobre uma garota muito ruim de cama e disse que namorava no sul, um cara muito parecido com a garota do conto. Respondi que o cara era viado, porque não era possível broxar diante de uns olhos azuis daqueles. Ela respondeu que ele transava de olhos fechados e me acusou de ser tarado; Respondi que não, mas poderia me tornar um, sem problemas algum se ela quisesse e se me desse uma chancinha...
Demos risada de minha investida sacana e quando a conversa estava legal, mesmo e tudo parecia caminhar para um final feliz aquele filho da puta, atravessou a porta que separava os vagões do trem. Viu-me, mesmo eu escondendo a cara:
“Marcelo meu querido...”
Era o Alan. Tipinho do caralho. Alan era um Et! Quando eu o conheci na casa de meu amigo Gio, pensei que ele era viado, porque era todo fresquinho, enjoado, cheio de manias e tal... Depois com o passar do tempo, vi que ele era mesmo um tonto que não sabia o queria da porra da vida. Teve o tempo em que ele queria ser psicodélico e pintou os cabelos de azul. Eu quebrei-lhe o barato quando ao vê-lo entrar no bar, chamei-o de Grace Slick e ele ficou puto comigo. Passou mais um tempo; Aí ele apareceu em minha casa e pediu-me uns livros emprestados do Bukowski, uns dois filmes do Fellini, mais outro Pabst, que era A CAIXA DE PANDORA e nunca mais me devolveu. O cobrei e ele disse que queria compra-los; Nunca me pagou. Também não esquentei porque comi a mulher dele e a putanha era muito gostosa e dava pra caralho. Senti-me bem pago...
Depois disso, conheceu uma cambada de idiotas no centro de São Paulo e inventou que seria Livreiro e dono de sebo, e ficou simplesmente intragável; Burro que nem uma porta, boçal, idiota e tosco, a ultima vez que eu o vi, fora no bar do museu onde ele usava uma máscara com um espelho na frente da cara e disse que era uma “peça de arte” de um amigo seu baseado nos reflexos urbanos... Meti um copo de vidro na cabeça dele e o botei para correr!!
Fazia mais de ano que não o via e agora ele aparecia do nada, dentro do trem parado e veio pro meu lado. A porra do vagão vazio e o empata foda sentou-se bem em nossa frente, fazendo a menina tirar os pés que estavam em repouso para o desgraçado sentar-se:
“Tudo bem, Marcelo...”
“Estava, até agora e no que depender de mim, vai continuar Alan!! Que você quer???”
“Que é isso, cara? Tanto tempo que a gente não se vê e você me trata assim?? Que a moça vai pensar? Trata assim de seus amigos??”
“VOCÊ NÃO É MEU AMIGO, ALAN!!!”
A Clara riu. Percebeu que o tonto do Alan era um “mala” e que daquele jeito seria impossível continuar nossa agradável e promissora conversa. Ficou quieta e virou-se para a janela, onde vez em quando, diante das sandices ditas pelo Alan e os coices distribuídos por mim, soltava um risinho de escárnio. E o filho da puta não ia embora!!
“Mas o que vai fazer em São Paulo, agora Marcelo...”
“Ouvir Frank Aguiar a noite toda e trocar porradas com bandido... Pelo menos assim, as chances de encontrar um performático culturete e bem pouca...”
“E por falar nisso, montei um grupo...”
“Você vive de grupo! Não é um cara sério...”
A Clara não agüentou segurar a risada...
“Não Marcelo... É pra valer; Trata-se de um grupo Surrealista; O nome é AS VICERAS DE GIDE...”
Aí não deu para resistir; Além de não deixar o cara descansar em paz, depois de morto ainda quer destripa-lo!!! A gargalhada veio naturalmente:
“Como é que é, Alan?”
“Um grupo de leituras e performances, bem abrangente, com teatro, música, cinema, literatura... Discutimos tudo! Porque não aprece lá?”
A clara olhou para mim e sugeriu:
“Vai bobo...”
“Alan, surrealismo em pleno século XXI, com tecnologia, internet e o caralho a quatro para se conseguir todas essa suas “Abstrações” e vocês querendo fazer o que o Dali fez há oitenta anos atrás...”
“Mais é uma releitura, né Marcelo...”
E o trem voltou a andar. O Alan continuou falando bosta até nos aproximarmos da estação, quando a Clara desceu me dando um beijo no rosto, recomendando-me cuidado com a “arte” e só; Nem telefone trocamos. Saiu do trem com seus belos cabelos loiros e aquele corpinho que chegava a me dar calafrios de tão belo que era. Pela janela ainda acenei com mão para ela e recebi em troca um beijinho, jogado a mim com a palma de sua mão esquerda. Linda!!
Voltei para o trem e lá estava o Alan:
“Mina metida a besta hein, Marcelo? Ela pensa o quê? Só porque é bonita acha que ta podendo??”
“ELA PODE O QUE ELA QUISER, PORQUE ELA É LINDA SIM!! E VOCÊ SEU MERDA?!? FÚTIL, CORNO, PROSELITISTA, RESSONANTE, ANTIQUADO E BURRO!! QUER O QUE DA PORRA DA VIDA?!?!” – falei, me levantando para ficar em pé, bem em sua frente:
“Que é isso Marcelo? Ta louco? Fala baixo...”
“Desce...”
“Hã??”
“DESCE, SEU FILHO DA PUTA!!”
“Como assim? Eu tenho que descer no Brás, para fazer integração... Você ta louco?!”
“SAI!!!”
E quando o trem abriu as portas na Mooca, eu o peguei pelo colarinho e simplesmente o arremessei para fora do trem jogando-o para a plataforma. Depois peguei sua mochila, vi que tinha um livro do John Fante; Peguei-o para mim e joguei a mochila também. O trem fechou as portas. Vi o tonto do Alan reclamando com o guarda da estação e antes de fechar os olhos, mostrei o dedo do meio á ambos. De olhos fechados, lembrei da Clara e daqueles olhos azuis lindos e como a vida podia ser bela de vez em quando. Mas aí o rádio do trem passou a tocar uma música bem cafona e ruim do Fábio Junior e voltei a porra da realidade. Puto da vida, esperei a merda do trem parar na Luz e rumei para o Sesc Consolação. Não sem antes parar em uma banca de jornal da Estação e comprar a revista “VEJA”.
Idiotice requer ambientação...
_______________________________________________________________
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 9; A BALADA DO MEU MELHOR QUERUBIM
Já falei aqui dos encantos do canalha e por último, da inevitalidade (Exemplo; Aparecerá um imbecil aqui que perguntará se existe o termo, último...) da presença do imbecil. Mas assim como o canalha, esse último tem lá algo que também cativa a todos. Vejam o caso de meu amigo Edu...
Eu era sou um dos poucos que tem paciência com o ele. E todas as vezes que me perguntei o porque de tanta parcimônia não obtive uma resposta muito clara. O que na verdade não tem problema nenhum porque eu sou escritor e não tenho esse tipo de preocupação. Quem precisa de “objetividade” é astrólogo... Enfim; Talvez se deva ao fato de ele sempre me render bons contos... E olha que aqueles dias, não eram dos melhores para me encontrar.
Andava meio puto com um grupinho de colaboradores que estavam fudendo com a revista de literatura que eu trabalhava. Um bando de otários que adoravam gastar grana do caixa da Revista, para bancar festas, estréias de peças de teatro que ninguém assistia e mais outros tantos lançamentos de livros que ninguém lia, tudo a preço de um encarecimento que mandava as vendas à merda. Pensando nisso tudo, curtindo uns dias de folga, resolvi ir até uma locadora de meu bairro que tinha lá um acervo de filmes europeus que o Japonês dono da mesma, comprava por engano e no caminho encontrei o nosso herói...
Estava com os pulsos todo ralados, muita olheira e uma cara de bunda de dar dó. Veio em minha direção com seu Fiat pálio e me convidou ás duas da tarde para tomar uma:
“Porra Edu... Ta meio cedo, né...”
“Cara, não dormi. Entra aí e me paga uma cerveja que eu te conto o que aconteceu...”
“A cerveja são os royalties é?!?!” – perguntei-lhe:
“Vai Marcelo... Deixa de ser mão de vaca, porra! Ficou careta e ta chato pra burro hein, meu?!”
Dei risada e entrei no carro. Posso garantir que se fosse qualquer outro cara, com certeza eu o mandaria tomar no cu. Mas como disse, com o Edu, as coisas funcionavam sempre ao contrário. Ele não prestava e isso me aproximava dele. Era um puta de um bandeira e estranhamente isso me instigava. Não sei... Seu irmão era o Betão. Investigador de policia civil, meu rival dos tempos em que eu era um vida louca e com ele travei bons duelos.
Saímos na porrada várias vezes e posso dizer que entre nós rolou um empate técnico. O cara era bom de porrada! Também trocamos alguns tiros sem maiores conseqüências. Apenas eu, um dia enchi o carro dele de balas, porque ele tomou uma cocaína do finado Foguinho que era minha e como ele sabia que era coisa do “Trabalho”, botamos um pano e parou por aí mesmo. Coisas que ficaram num passado remoto...
Desde que parei com as drogas ele manteve-se digno comigo: Posso dizer que sempre me respeitou e também pudera; Ele meio que sabia o que eu estava passando. Tinha um irmão que era um puta de um nóia e só não estava morto porque o Betão fazia o diabo para segurar a onda. E olha que o Edu tinha tudo para ser um cara sossegado.
Trabalha em um Banco onde é quase um gerente. Só não se transformou em um, porque vivia faltando no trampo em virtude de suas noitadas ácidas e só não estava na rua, porque sei lá eu como, ele fodia com uma chefona lá do Banco, uma velha feia do caralho, tipo maracujá chupado, que me dava ânsia de vômito, só de imagina-la sem roupa. O Edu me contava que tomava um LSD, via no lugar dela a Jane Birkin e descia a rola!! Eu mijava de rir!!! Ele me dizia:
“Sabe como é Marcelo... Questão de sobrevivência, né...”
Não me pagava o que me devia nem a pau! Se o Helinho ou Shala o visse, não sobraria nada dele. E eu não deixava meus amigos arrebentar-lhe. Vou acabar com uma de minhas principais fontes de inspiração, oras... E daquela vez posso dizer que a cerveja valeu...
Chegamos na padaria do bairro. Quando eu lhe perguntei o que tava rolando ele me respondeu:
“Melhor você se sentar Marcelo...”
E começou:
Contou-me que conheceu uma mina em um bar das Figueiras em Santo André e depois de muita vodca e mais alguma cocaína, a mina lhe disse que curtia um fetiche e que tinha uma fantasia que há muito sonhava em realizar; Queria ser algemada. E o Edu como sempre, deu um jeito; Encheu a vadia de cachaça e droga jogou-a dentro do carro, passou em casa, fuçou nas coisas do irmão e descolou as tão afamadas algemas para realizar o sonho da distinta. Parou no primeiro motel que encontrou, entrou com a vagabunda e iniciou a Sodoma, algemando-se junto à mina. Quando a coisa esquentou, depois de ótimas preliminares narradas por ele com preciosos detalhes, chegou a hora do “couro comer”. Então a mina lhe pediu:
“Agora me solta e me come, cara!!”
E lá foi Edu:
“Pra já... Mas viu, Como é que se solta isso?”
“Como?!? Com a chave, cara...” – Respondeu-lhe a mina:
“Mas tem que ter uma chave é?”
“Você ta brincando, né...” – Falou a garota:
“Não... Eu não sabia que precisava de uma chave!!!”
“NÃO ACREDITO! ONDE VOCÊ ARRUMOU AS ALGEMAS?!?!?”
“São do meu irmão que é policial e se eu for atrás dele, ele me mata!!!”
“E como nós vamos nos soltar?!?!”
“Ué; Você não queria ficar presa?!”
“NÃO PARA SEMPRE SEU IMBECÍL!!” – Gritou-lhe a vadia:
“Calma; Vou dar um jeito...”
E então o Edu me disse que interfonou para a recepção pedindo que lhe arrumassem um pedaço de arame ou um clips e começou a tentar se soltar. Pra acabar de fuder com tudo, ele quebrou um pedaço de arame dentro da algema e a mina ficou puta da vida; Começou a lhe socar e tentou quebrar-lhe uma garrafa de vinho na cabeça, o que chamou a atenção dos caras do motel, já que anos de trabalho lhes ensinou a diferença entre fantasias sexuais e barraco mesmo... Resultado:
Chamaram a polícia! E invés de ficar quieto e segurar a bronca ele relatou para os canas que o irmão dele era policia também e proprietário daquelas algemas com a qual estava preso à mina. Os caras da viatura militar racharam o bico de tanto rir... Quando o Betão chegou, foi necessário o auxilio desses mesmos caras da viatura, para segura-lo e evitar que ele moesse o Edu de porrada. E com aquele arame quebrado no miolo, não deu para virar a chave da porra da algema. Foi preciso chamar um chaveiro e a rapaziada dos arredores se divertiu pracas com a cena... Depois de muita insistência do Betão a mina largou de mão a idéia de fazer um B.O. Mas na delegacia, após meticuloso trabalho do chaveiro, meteu a mão na cara do Edu e mais; O Betão, que estava roxo de vergonha e possesso da vida, mandou-lhe de castigo para uma cela onde recomendou ao delegado que o deixasse passar a noite e nem com as ponderações do mesmo, o Betão mudou de idéia...
E ainda por cima, o filho da puta pegou no sono as sete da manhã e dormiu até quase meio dia. Quando foram lhe liberar, respondeu que ficaria mais um tempo até que desse a hora do almoço!!
Eu já estava passando mal de tanto rir, quando o Edú terminava de contar aquela história toda. Depois olhei bem na cara dele e ele me disse:
“O pior você não sabe...”
Nem pensei duas vezes:
“Cidão; Dá mais uma...
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 10; Ela...
Nem olhava para a cara daquela mulher.
Quieta, fechada, aparentemente, tímida, extremamente reservada olhar distante. Parecia a última pessoa do mundo com a qual eu pudesse vir a ter alguma proximidade. Trabalhávamos juntos. É verdade.
Passava oito horas daqueles meus dias com ela. E posso dizer que eu tinha a mais plena convicção que ela seria a pessoa que menos me interessaria durante aqueles três meses em que eu trabalhei provisoriamente naquela agência de publicidade. Não era o tipo físico preferido da maioria dos brasileiros.
Era magrinha. Tinha cabelos ruivos, vestia-se de maneira desleixada; Sempre de calças de lona modelo “cargo”, tênis All Star (eu adoro) e camisetas de algodão que pareciam ser de um tamanho maior que o dela. Quase não falava.
Ao contrário das outras “candinhas”, comadres e xepas que passavam o dia futricando e assuntando a vida alheia, ela, parecia não habitar o mesmo cosmo comum enquanto fixava o olhar na tela do computador que ela trabalhava. Acontece que o tempo foi passando.
Ela me pediu o grampeador emprestado e eu que estava revisando uns textos no computador vizinho ao seu, aproveitei a brecha para te pedir um disquete limpo. E ao longo daquela tarde de trabalho, continuamos trocando e compartilhando outras ferramentas de trabalho.
Com o tempo passamos a trocar idéias. Depois, algumas piadas e mais outras histórias infames. E eu sempre a fazia se acabar de rir quando eu falava de meu passado mundano. Então eu percebi que ela usava um aparelho ortodôntico azul e seu sorriso se tornava peculiarmente bonito. Foi então, chegando a reta final dos nossos contratos de trabalho.
Com isso, o trabalho apertou. O serviço dobrou e houve a necessidade de se fazer hora extra. Como nosso horário de trabalho era das 15:00 às 23:00hs, isso queria dizer, rasgar madrugada trabalhando. Para mim que sofria de insônia sem problemas. No entanto, para ela parecia que as coisas não iam bem. Já quase não falava. Mas naquele dia em especial parecia que estava em transe. Estava em Plutão! Parecia haver algo errado, alguma coisa, com certeza estava lhe atormentando. E mesmo não me sentindo íntimo o suficiente, resolvi saber o que estava rolando.
Eram três e dez da madrugada quando eu e o Lord, que era nosso chefe e amigo, terminamos uma boa parte do nosso trabalho. Ligamos as caixas de som e começamos a ouvir um som do Vanila Fudge, enquanto terminávamos de arrumar a sala. E como além de mim e do Lord, apenas ela tinha ficado para fazer hora extra, não foi muito difícil perceber que ela estava ausente. Senti sua falta. Éramos agora, algo próximo de... amigos. Saí da sala.
Passei pela recepção, abri a porta que dava para o terraço do prédio. Foi então que eu a vi pelas costas enquanto ela olhava para a bela lua cheia que fazia naquela madrugada. Fechei a porta. Aproximei-me dela e quando eu a toquei no ombro ela se virou chorando e instintivamente me abraçou. Eu retribuí
E enquanto ela não terminou de me narrar toda a crise que estava rolando no casamento dela eu não disse uma palavra. Apenas avisei o Lord que nós iríamos até a loja de conveniência do posto de gasolina que ficava próximo dali para comprarmos uma garrafa de vinho. Ele ofereceu o carro. Eu recusei. Aproveitei o caminho para terminar de ouvir a história e conversar um pouco com ela.
O que ela me contou ninguém vai ficar sabendo nunca, porque assim combinamos e mesmo um escritor como eu ainda tem certos limites e respeita algumas promessas. O que falei não importa.
O fato é que depois da conversa que tivemos naquela madrugada, ela e o marido ficaram numa boa. O tempo finalmente passou. O serviço acabou. Rolou uma festa de despedida e então, finalmente conheci o marido dela. Puta cara legal. Tomamos todas e nos demos bem pracas. Ele também gostou de mim.
Foi então que ela me deu o telefone deles. Nos despedimos.
Cheguei em casa chapado e apaguei de roupa e tudo. Duas horas depois quando eu acordei fui para o meu quarto. Liguei o som, peguei um velho disco do Lester Young e deitei. Nessa hora enfiei a mão no bolso e encontrei o n. º do telefone deles que ela me deu.
Tirei do bolso rasguei o papel e fui tentar dormir...
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 11; AS FACES DO CRIME NA ALA ESQUERDA SOCIAL...
Será que em tempos modernos meu amigo vale uma reflexão? Bem... Vamos lá falar dos preços nos supermercados da vida...A dignidade de um policial militar em São Paulo não custa tão caro; Três mil reais. Foi o que gastou o Rubinho quando o cana radiante de alegria constatou uma gambiarra em seu telefone celular. Pouca coisa. Não daria maiores problemas, se o Rubinho não estivesse respondendo a um artigo 12, uma tentativa de homicídio e mais outro latrocínio com flagrante em cima e tudo, após trucidar um cagüeta falador, dedo duro, que sem nenhum esforço entregou a rapaziada que fez um assalto a um banco, de bandeja para os canas. Um tremendo filho da puta que teve o final que todo filho da puta falador costuma ter na quebrada. Tomou um enquadro do Rubinho:“Abaixa”.O sem mãe abaixou:“Morde a guia” – Ordenou o Rubinho;O tranqueira suplicou, implorou, e depois de uma coronhada no meio do quengo, mordeu a guia como o Rubinho ordenou:“DESGRAÇADO...”E então o Rubinho com um pisão na nuca do cara, aproveitando da tal mordida na guia, estourou o crânio do infeliz apresentando pelo menos para mim, uma nova modalidade de execução. E nunca mais eu esqueci o barulho daquela cabeça sendo estourada na guia. Depois deu mais seis tiros na cara do cara, para se certificar que o cara estava mesmo a caminho do inferno. Em seguida, ordenou que recolhessem o corpo e despejassem no córrego da favela no que prontamente foi atendido. Feita a limpeza à boca de fumo voltou ao “normal”. Peguei o meu papelote de cocaína e o Rubinho ao me ver, chamou-me para tomar uma cerveja.Dias depois, após uma mega operação da policia e dos programas de tv policialescos, ele foi “preso” e condenado há dois anos por formação de quadrilha. Ficou três meses. Depois da fuga foi para Fortaleza onde se montou novamente e passados sete anos eu o reencontro após ele terminar a “negociação” em frente ao bar que eu estava bebendo. Veio em minha direção abraçou-me contou-me como andava a vida, riu da minha caretice quando o informei que estava “limpo” há mais de dez anos, perguntou como andava a minha mãe e a minha “galega” (Íris. Minha eterna ex-namorada) e novamente me chamou para tomar aquela cerveja de sempre, que durou até o dia clarear.Os politicamente corretos devem estar se perguntando; “O que ele está fazendo com um paria desses?” Pois bem:Primeiro porque não me considero melhor do que paria algum. Segundo, porque nenhum desses que se julgam “politicamente corretos” são melhores do que o Ruibinho ou qualquer outro paria. Não há diferença alguma entre o Rubinho e qualquer outro desses cidadãos “respeitáveis” que não cheiram cocaína, mas que compram recibos médicos para burlar a receita federal e ganhar grana com o imposto de renda. E o Rubinho...Eu o conheci em 1982, quando o técnico Esquerdinha montou um time de garotos da categoria mirim, que ficou conhecido como A MÁQUINA DO PNO. O ESPORTE CLUBE NACIONAL DAS NAÇÕES era um timaço. E o Rubinho era o lateral esquerdo daquele time. Bom jogador. Leve, rápido, veloz e habilidoso o Rubinho se destacava muito em campo. Fora dele tinha milhares de problemas:O pai era um bêbado imprestável que só servia para encher o carão e espancar sua mãe que fazia faxina em três outras casas para sustentar o Rubinho e a sua irmãzinha que também não passavam incólumes à sessão de espancamentos. Não foram poucas às vezes que o Rubinho apareceu para jogar com a cara roxa. Outro dia, apanhou tanto que não conseguiu nem jogar. Então Seu Israel que era o Presidente do Nacional interveio naquela situação; Denunciou o caso a policia que disse que isso era apenas um “corretivo”. Procurou a Assistência Social na Prefeitura que marcava entrevistas e nunca aparecia. Empenhou-se em conversar com o pai do Rubinho e lhe ofereceu um emprego em um de seus depósitos de material de construção. O cara além de não ir, quase matou o Rubinho de pancada depois disso. O menino de 12 anos mal conseguia andar. Então Seu Israel perdeu a paciência...Baixou no bar que o pai do Rubinho estava e o cobriu de porradas. Moeu o tranqueira na pancada!! Nós que estávamos jogando bola na Rua em frente fomos juntos e ajudamos consideravelmente o linchamento com o auxílio de tacos de sinuca, garrafas, cadeiras, chutes e copadas. Fomos todos parar no 5º DP de Policia lá do bairro e quando o meu pai foi me buscar me deu a maior bronca. Mas meu avô Basco me defendeu:“Deveria tê-lo matado!”E quando voltou do hospital o cara foi seco pra cima do Rubinho. O garoto, mesmo debilitado conseguiu fugir correndo até o quarto dos pais e se trancou por lá enquanto o imprestável tentava arrombar a porta. E quando já estava na janela para tentar pula-la e fugir, o Rubinho viu o revólver do pai dele em cima do guarda roupa. A partir daquele instante, decidiu que não pularia mais de cima de lugar nenhum. Pegou o canhão, sentou na cama e ficou esperando que o pai conseguisse derrubar a porta do quarto. Quando o infeliz conseguiu, levou quatro tiros no meio do peito. E então o Estado se fez presente...O Rubinho que era um rapaz tímido, quieto e bom jogador de futebol, foi para a Febem com 12 anos e saiu de lá com 18, um bicho! Ainda assim tentou por dois anos arrumar um emprego. Quando percebeu que isso seria difícil, aceitou trabalhar como olheiro na boca de fumo da região. Depois virou passador. E assim, foi fazendo história no mundo do crime. E o tempo passou.Hoje o Rubinho tem 32 anos e após esgotar todas as possibilidades e todas as tentativas ele sabe, claro, que não tem a menor chance de habitar o mundo dos cidadãos “respeitáveis”. E nem quer mais. Está rico e talvez ainda tenha saudade do tempo em que compunha o lado esquerdo daquele time fantástico que marcou época na várzea, mas sabe que jamais isso será possível. O jogo agora é outro. E quando o dia clareou naquele bar onde estávamos eu ia embora quando o Rubinho me pegou pelo braço impedindo a minha saída:“Toma a saídera comigo, Marcelo. Pode ser a última...
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº 12; 1992 O ANO DO INFERNO E A CELEUMA ENTRE O CÉU E O INFERNO
A primeira borrachada veio com força bem no meio das costas. Dobrou-me no meio. E quando eu com certeza cairia de joelhos, tive essa queda aparada por outro que me colocou de pé pegando-me pelo colarinho e grudando-me novamente na parede, deixando-me de frente e de jeito para o seu parceiro me esmurrar primeiro no saco, depois em uma caprichada joelhada na cara que me arrebentou com o nariz e mais uns dois dentes. O sangue começou a jorrar e daí para frente eu não resisti; Apenas coloquei os braços em volta da cabeça tentando protege-la e deixei o resto do corpo todo a mercê dos canas. Apaguei com um chutão muito bem dado no fígado ou, pelo menos onde ele deveria estar e senti que o mesmo sairia pela boca. Antes eu percebi que a situação do Helinho era bem pior.
Ele reagiu. Quando o primeiro gambé tentou ir pra cima dele o Helinho parou-lhe com um poderoso direto de direita muito bem encaixado na ponta do queixo. E aquele “prestimoso” soldado não acordou mais aquela noite. Sei lá eu se ele acordou depois. O problema é que sobraram seis...
Armados e emputecidos tiveram trabalho até que um deles estourou a cabeça do Helinho com uma puta de uma coronhada que finalmente fez com que ele caísse. Depois o couro comeu feio pro lado dele; Enquanto dois deles o seguravam, outro, o mais ensandecido deles espancava-lhe os olhos, o nariz, o estomago, queixo e tudo. Ficou mais puto quando começou a se cansar de tanto dar porrada e o Helinho desferiu contra ele uma catarrada de sangue na cara. O Cana ficou doido! Pegou um cassetete e passou a descer a borracha no Helinho. Só parou quando foi contido por outros que não estavam preocupados com a saúde do Helinho; Estavam preocupados porque queriam bater também! E daquele jeito pouco sobraria para eles... E a bronca aumentava porque quanto mais eles batiam, mais o Helinho caprichava nas cuspidas...
E porque aqueles policiais nos espancavam daquele jeito?
NÃO!
Nós não roubamos ninguém. Não sonegamos imposto de renda, não fraudamos a previdência, não confiscamos nenhuma caderneta de poupança, nem tampouco estupramos, nem matamos a filha de ninguém. E se tivéssemos cometido algum desses crimes, ainda assim, nada justificaria aquela atitude animalesca por parte daqueles que recebiam os seus salários a partir do recolhimento de impostos pagos, entre outros, por mim e pelo Helinho. Então qual foi o crime?
NENHUM!
O motivo de toda aquela fúria da “respeitável” polícia paulistana deveu-se ao fato dos mesmos encontrarem eu e o Helinho em uma das centenas das bocas de fumo que infestavam Santo André e que pagavam portentosos “cafés” aos policiais de São Paulo também. Acontece que após a “geral” que eles davam na gente não conseguiram encontrar nada. Nem uma rapinha de cocaína. E eu não sei como. Pensei: “o Helinho deve ter dispensado o produto...” Mesmo assim eles farejaram por toda aquela quebrada e quando não encontraram nada mesmo, ficaram putos da vida.
Sabiam que sem o flagrante, não teriam o lucro da propina. Sem a droga então, nem um trocadinho para eles. E ao invés de conduzir-nos a um DP de Policia para sermos autuados por sei lá eu o que, que nós havíamos feito, preferiram nos jogar algemados no fundo do camburão e lavar-nos para o campo do Beira Rio, no Jardim São Roberto, onde finalmente iniciaram a barbárie. E isso não aconteceu em um porão do DOPS no meio de uma ditadura militar nos anos 70. Esse fato ocorreu em pleno 1992 numa época em que a rede globo de televisão entrava em todos os lares do Brasil enaltecendo “a liberdade de ação e expressão vivida no país que transpirava democracia”.
Enquanto um bando de moleques babacas, burros e purpurínicos matavam aula para pintar a cara de palhaços no centro da cidade achando que derrubariam um presidente que já estava no chão há meses “lutando pelo impitimenti”, do outro lado da cidade dois viciados, dependentes químicos, eram barbaramente torturados por insanos policiais sem terem feito absolutamente nada.
Liberdade...
Ainda escutei o chefe dos bárbaros dizer; “Ta bom; saímos no prejuízo mais eu duvido que esses dois vão sair daqui andando...” Olhei na cara dele que ao invés de me bater preferiu cuspir-me na cara. Aquilo me doeu mais do que qualquer outra pancada. Desmaiei. O Helinho também. Acordamos no outro dia, moídos de pancada com sangue por todo o corpo sentindo dores descomunais e com a impressão de que a única parte do nosso corpo capaz de se mexer eram os olhos. E com eles fizemos o nosso primeiro contato. Então vi o Helinho rastejando de quatro pela terra batida do campo de futebol de várzea mais famoso do Jardim São Roberto. A duras penas conseguiu levar o seu dedo indicador até a garganta forçando um vômito, que a julgar pelos berros e gemidos também me parecia ter doído mais do que qualquer um daqueles murros que ele havia levado.
E em meio a todo aquele sangue, cerveja, pedaços de carne e terra, o Helinho conseguiu vomitar três, dos quatro saquinhos de cocaína que nós havíamos comprado. Em meio a uma dolorida tosse olhou para mim e nós conseguimos sorrir antes de cheirarmos aquela cocaína vomitada de dentro da “alma” que os cristãos tanto propagavam. Ainda falei pra ele:
“A hora que eu conseguir me levantar eu vou enfiar o dedo no seu cu pra você cagar o outro que ficou faltando, Helinho...”
Foi a melhor cocaína que nós cheiramos na vida! Pelo menos foi ela que nos ajudou a chegar até a pracinha onde fomos encontrados e levados para o Hospital municipal de Santo André. Eu cheguei com fraturas no braço, nas costelas (duas) e no nariz, além de ter perdido um dente do fundo. O Helinho que estava três vezes mais fudido do que eu e que, tinha uma suspeita de traumatismo craniano, não teve maiores seqüelas subseqüentes. Também não pegou mais nada para nós, já que falamos a verdade e isso, parecia não interessar aos policiais que fariam ocorrência de nosso caso. Passaram-se os anos.
Aquele presidente caiu. Quem pintou a cara sumiu. O Brasil ganhou mais duas copas do mundo e esta mais democrático do que nunca. Eu estou desempregado e há oito anos estou limpo de tudo quanto é tipo de drogas. Nem café eu tomo mais. Ejooei. Já o Helinho, não parou de beber, nem de fumar, nem de se drogar! Agora ele faz isso por ele e por mim... Trabalha na IBM, ganha um puta de um salarião, conseguiu finalmente montar o seu CAMARO 1967, que ficou um carro lindo e hoje me ligou pra me mandar encontra-lo na Avenida Paulista, em frente ao prédio do conjunto do Banco Nacional, para assistirmos um show da ORQUESTRA SUN-RA, que como sempre ele pagaria. Fui. E ao nos encontrar-nos ele me chamou para acompanha-lo em uma cerveja que ele queria tomar. Fazer o que...
No caminho encontramos um sujeito sofrendo para vencer, com a sua cadeira de rodas, um dos milhares de buracos das calçadas da Paulista. Quando chegamos perto levamos um susto; Vimos que o cara na cadeira era o tal tenente, chefe dos bárbaros! Aquele mesmo que disse que duvidava que nós sairíamos do arrebento andando. Imediatamente nos reconhecemos. Clima tenso! Eu e o Helinho nos olhamos e depois olhamos para o cara, que visivelmente estava assustado. Depois demos um passo em sua direção, nos posicionamos cada um de um lado e finalmente o ajudamos a vencer o epencilho sem esperarmos pelo agradecimento.
Depois disso foi difícil controlar um estranho sentimento de satisfação que eu sentia por dentro. O Helinho me olhou e eu percebi um leve sorriso em seu rosto e mais nada foi dito.
Eles que decidam...
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº13; ALGUMAS REFLEXÕES DE SEXTA FEIRA; ELUCUBRAÇÕES NO HORÁRIO "NOBRE" DA TV ABERTA...
O Santos contratatou Marcinho Guerreiro (Que tem como principal inimigo de suas batalhas, exatamente a bola...), Na novela das oito na Rede Globo de televisão, o autor criou um Hugo Cesar Chaves, que atende pelo nome de Juvenal Antena, a mocinha mais gostosa do Big Brother não quer dar pra ninguém, no Telecine passa Claude Chabrol, no CCBB, tem Bang-Bang, do Andrea Tonacci e minha amiga Giuliana diz que sou elitista. Ai, ai...
Quanto ao Chaves/Fagundes; Não morro de amores pelo sujeito. Aliás, para mim, não há diferença nenhuma entre um ditador e outro, ou seja; Pouco importa se um tortura, assassina e mata e outro, é populista, previsivel e louco. Ambos são tiranos. Se perpetuam no poder as custas da pobreza, da ignorância e porque não, através da boa fé do povo para disseminar o seu complexo de Nero, ou senão, via força, debaixo de choques elétricos, pau de arara, fuzilamentos e decretos, ou "AI's", como queira.
No entanto, vejo com o mesmo nojo, uma emissora de televisão, um grupo falido, caloteiro e quebrado, que vestido com o smoking da democracia, alardeia uma cruzada hipócrita, calculada e sistemática sem a menor coragem de vir a público e dizer; "O Chavez nos incomoda e detestamos ele." Não. Ao invés disso, "Somos isentos e nos atentamos apenas aos fatos". Porra nehuma! Nunca os olhos do mundo se voltaram para a Venezuela para tentar entender o que acontece por lá. A pobreza daquele povo, nunca conseguiu 30 segundos do Jornal Nacional para que soubessemos o que rola por aquelas terras e nenhum enviado especial quer saber o que pensao povo pobre de Maracaibo, por exemplo. E vejam, se hoje a coisa é diferente, até que ponto o Chaves tem mérito nisso? Mérito?? Sei lá...
Sei que, maluco por maluco, prefiro um que seja latino e camponês, a outro, texano e idiota. Seja lá como for, nenhum dos dois é um maluco jungano como bem obervou minha amiga Livia em outras circustâncias.
E Chabrol no Telecine? Legendas em português, dublagem em inglês! Depois eu que sou chato...
O Tonacci no CCBB era uma boa pedida mas, atividades pouco cristãs e muito prazerosas, me impediram de assisti-lo novamente. Dei um jeito. Fui até aos incrivelmente olhos azuis de Giuliana e pedi o velho vhs emprestado. A linda amiga, resolveu então dar uma alegria a esse pobre e velho roqueiro e me convidou para entrar e assistir com ela. Maravilhoso exercicio de cinema, inventivo, experimental e inovador com uma atuação impecável de Paulo Cesar Peréio. Que filme! Ao término do mesmo a televisão caiu no então afamado Big Brother Brasil.
A Giuliana me falava dos encantos da mocinha do programa que não queria dar pra ninguém, de um psiquiatra que vive o drama de revelar ou não sua sexualidade para os 14 membros da casa, embora tenha revelado para todo o Brasil e mais uma outra série de assuntos que envolvem a tal casa global. Fiz um comentário, ou um gesto de indiferença e minha amiga mandou essa:
"Da pra deixar de lado esse asco todo das coisas populares, senhor Marcelo? Você mesmo ja escreveu sobre uma série de circustancias que levam esse povo a ver esse tipo de coisa, inclusive, inocentando-os! Agora, quando te faço um cometariozinho, você me responde com essa cara de Regis Debret e empina o nariz! Qual é, Basco?"
Bom... Não sei até que ponto esse tipo de programa é "popular". Aqui no do Parque Novo Oratório, nunca vi ninguém. É claro que de vez em quando alguém do subúrbio do Rio aparece por lá para contrariar a regra, mas nunca, esse mesmo vivente passa pela peneira global. É sempre um sorteio, um concurso, algo pra mostrar que o povo participa sim, ô... Não tenho cara de Debret, porque ele era um demonio de feio. Apenas defendo meu direito de não ser politicamente correto, nem de fazer a alegria da meia dúzia boazinha que passa a mão na cabeça do povão contemporizando tudo quanto é coisa. Digo sim o que penso, sem me preocupar no quanto isso pode ou não ser relevante a outrem. Finalmente...
Espero que os Templários modernos me entendam...
TEOREMA DOS PORQUÊS Nº14; ENTRE SERGE GAINSBOURG E SASHA DISTEL; EU MESMO...
No primeiro texto que escrevi aqui nesse Blog, falei que não sabia exatamente o que fazer com essa tal ferramenta. Pois bem; Não demorou muito e já sei que a coisa serve exatamente para quando você tem absolutamente merda nenhuma para fazer da vida. Aí é só vir aqui e escrever umas sandices. Fácil, não? Pois é...
Naquela tarde cinza do começo de inverno paulistano me encontrava num momento desses. Até que a noite anterior havia sido boa. Saí para jantar com uma amiga minha que há muito tempo não via, depois ela sugeriu um cinema, então o filme acabou e fomos beber vinho num bar metido a besta, aí ficamos alegrinhos e depois... Depois não precisa contar mais nada porque você que ta lendo isso aqui não é coroinha nem freira, né?!?! Enfim; Começou as 22:00h e as 17:14h do outro dia eu ainda estava no apartamento da “amiga” em Moema. E como eu andava com o saco cheio de “arte”, decidi ligar o rádio em uma emissora AM qualquer. Surpresa agradável.
O locutor anunciou que a próxima música a ser executada seria o hit “JE T’AIME MOI NON PLUS”. Com aqueles deliciosos gemidinhos da não menos deliciosa Jane Birkin. Até hoje ela me causa arrepios. E aí que ta coisa; Cabeça de desocupado é uma merda! Impossível impedir que uma estapafúrdia questão tomasse conta de meu pensamento:
Porque diabos uma mulher como essa se casou com o trambolho do Serge Gainsbourg?! Em tempo:
Para aqueles que tem mais o que fazer da vida e não tem a menor idéia do que eu estou falando, Serge Gainsbourg era um músico francês que além de pianista e arranjador também se metia a compor, brincar de fotógrafo e escrever poemas. Não vou entrar no mérito da questão de afirmar se era bom ou não no que se predispunha a fazer porque nem vem ao caso. Mas afirmo que ele foi um vitorioso.
Não digo isso tomando por base os milhões de discos que ele vendeu, muito menos os conseqüentes vários dígitos que essa vendagem lhe rendeu em sua conta bancária muito menos o seu pomposo enterro com a presença de um monte de Chefes de Estado todos desocupados (igual eu...) que lá compareceram; Seu maior mérito foi conseguir ter casado com a mulher mais gostosa da França dos anos 70 mesmo sendo o cara mais feio e horroroso da face da terra!!!. Uma vez, quando perguntado por não sei qual jornalista de não sei qual revista a respeito do assunto, deu a seguinte resposta:
“É muito fácil uma mulher encontrar um homem bonito e se apaixonar. Isso acaba se tornando banal. Agora, encontrar um cara feio como eu e se apaixonar, além de ser um grande desafio para essas mulheres pode ser extremamente instigante porque eu sou único; Ninguém é mais feio do que eu! Viver essa experiência é o que as atrai e justamente minha feiúra é meu principal charme...”
Quando li isso achei ridículo.
Hoje enquanto fumo meu Camel, olhando para um espelho próximo da sala onde repousava minha bunda, ouvindo o meloso órgão do feioso e os tentadores grunhidos da Jane Birkin, começo a pensar naquela resposta com uma certa conivência e quase que passo a lhe dar razão.
Afinal de contas precisava puxar a sardinha para meu lado... Levantei-me e fui até o tal espelho. Fiquei de frente com mesmo com essa minha cara de nada, e pronto; Consegui um dilema! Pensei:
Não sou feio. Também não sou bonito. Então que porra que eu sou?!?!
“Oi Marcelo...”
Era a Paulinha. Minha “amiga” em questão. Linda, loira e reluzente havia acabado de chegar do trabalho e com um beijo em minha boca de nicotina interrompeu-me a reflexão. Jogou a bolsa no sofá da sala e foi direto para o computador, checar a sua caixa de mensagens. Terminei o cigarro, fui até o banheiro, lavei o rosto e fui decidido até ela. Perguntei:
“Paulinha... O que você acha do SERGE GAINSBOURG?”
“O cara mais brega e cafona do mundo...” – Respondeu-me sem tirar os olhos da tela do computador mais foi o suficiente.
Saí da sala e suspirei aliviado.















Nenhum comentário:
Postar um comentário